Movimento Maker = Faça você mesmo (em inglês, “do it yourself”).

A expressão é a essência do movimento Maker (ou “fazedores”, em tradução livre), que ganha cada vez mais força no mundo inteiro. Sua principal proposta é encorajar as pessoas a colocar a mão na massa e explorar a criatividade para inventar, consertar e modificar produtos e utensílios dos mais diversos, dos mais simples (como brinquedos) aos mais complexos (como robôs, por exemplo).

Indiretamente, o movimento também desencoraja o consumo desenfreado que vem degradando os recursos naturais do nosso planeta, na medida em que joga uma luz sobre o reaproveitamento de materiais, por exemplo. Não à toa, ele ganhou bastante força durante a crise que afetou a economia de diversos países na primeira década do século XXI, e que reduziu consideravelmente o poder de compra da população, de maneira geral.

Um de seus grandes impulsos foi o advento das tecnologias da informação, que facilitou o compartilhamento e acesso a tutorias de como fazer coisas diversas (experimente digitar no youtube “Do It Yourself e veja quantos vídeos aparecem). Apesar disso, o movimento resgata a lógica da manufatura, que faz parte de nossa cultura desde os primórdios.

Explicado o que é o Movimento Maker, vamos à pergunta chave do nosso artigo: Como ele se relaciona com a educação? É o que falaremos a seguir.

Movimento Maker e Educação

Recentemente, publicamos aqui no blog uma reflexão sobre a importância das escolas colocarem o aluno como o protagonista do processo de ensino x aprendizagem, a partir de uma participação ativa na construção dos conhecimentos. Alguém que, para além de absorver informações prontas, deve ser estimulado a resolver problemas, experimentar os conhecimentos na prática e relacionar os aprendizados com a própria realidade.

Em sua essência, o Movimento Maker estimula exatamente este tipo de postura. Sua abordagem pressupões, necessariamente, retirar os estudantes da zona de conforto e garantir que eles se sintam encorajados a tirar as suas ideias do papel a partir da lógica de experimentação.

Mas afinal de contas, como eu faço para implementar o Movimento Maker na minha escola? É preciso investir muito dinheiro? É necessário capacitar os professores para isso?

Começaremos respondendo a última pergunta primeiro. Sim! Para que o Movimento Maker seja efetivamente implementado como uma ferramenta educacional, é preciso, antes de mais nada, que a gestão esteja disposta a desenvolver, internamente, uma cultura de participação e autoria por parte dos alunos e adaptar a lógica Maker às demandas curriculares.

Isso significa conhecer o movimento em sua essência, desenvolver uma estrutura para que ele seja implementado e, acima de tudo, capacitar os professores para lecionar dentro dessa nova lógica. Os docentes precisam abrir mão do papel de detentores do conteúdo em uma escola dogmática e passar a atuarem como facilitadores e tutores, orientando os estudantes na busca pelo conteúdo e mostrando a eles a importância de se responsabilizar diretamente pelo próprio aprendizado. Focar o ensino na lógica de resolução de problemas e encorajar a pesquisa, levantamento de hipóteses, e acima de tudo, combinar o conhecimento mental à aplicação física. A implementação, portanto, passa pela lógica da mudança de cultura.

Sobre os altos investimentos, a resposta é não, eles não são fundamentais para implementação do Movimento Maker nas escolas. É óbvio que uma instituição de ensino com melhores condições financeiras tem mais possibilidades de ofertar espaços sofisticados como laboratórios com impressoras 3D, cortadores a laser, notebooks, tablets e softwares da programação.

No entanto, também é possível estimular o “faça você mesmo” com materiais e ferramentas mais baratas como madeiras, pedaços de papel, plástico, peças de lego, papéis coloridos, retalhos de tecidos, itens recicláveis, balões, colas, tintas, botões, massinhas, martelos, serrotes e muito mais. Com esses objetos em mãos, os estudantes já tem plenas condições de trabalhar na criação de protótipos para tornar reais os seus projetos e produtos como brinquedos, jogos, dentre outros.

Aqui, vale uma ressalva. É muito importante que, na montagem do espaço, a escola disponibilize os materiais adequados para faixas etárias específicas, para facilitar o manuseio e, principalmente, para evitar acidentes.

Importante também que se tenha em mente que o foco do movimento não é a tecnologia em si, mas o aprendizado. A tecnologia, sem dúvidas, oferece excelentes ferramentas de trabalho, mas o movimento não depende dela. O mais importante é criar as condições para que as crianças tenham a liberdade de criar, produzir, e testar na prática.

Sobre como implementá-lo em sua instituição de ensino, a resposta é bem simples. Basta entender a importância dessa mudança de paradigma, um pouco de criatividade, uma equipe motivada e vontade.

Benefícios do movimento na educação

Os benefícios da lógica “faça você mesmo” para o ensino são os mais diversos. Com ela, os alunos se sentem mais desafiados e estimulados a desenvolver criatividade, autonomia, protagonismo, pensamento crítico, práticas argumentativas, capacidade de trabalhar em equipe e tantas outras competências fundamentais no novo mercado que se desenha.

O movimento também estimula a construção coletiva do conhecimento, é um excelente gancho para a interdisciplinaridade e, além de tudo, é aplicável em qualquer matéria.

Uma última dica: O principal combustível para o consolidação do Maker na educação, as crianças e adolescentes já tem: a imaginação. O próximo passo é dar a eles o estímulo e as ferramentas necessárias para colocá-la em prática. E aí, a sua escola está pronta para começar?